Domingo, 25 de Agosto de 2019
Mulher natural de Esplanada é morta durante ação da GCM na Cracolândia em São Paulo
Cracolândia
Mulher natural de Esplanada é morta durante ação da GCM na Cracolândia em São Paulo
Informações: G1 Bahia
Postado 11/05/2019
Imagem: Reprodução/internet

A polícia quer saber de onde partiu o tiro que matou uma mulher na cabeça durante uma ação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na Cracolândia, no centro da cidade de São Paulo, na quinta-feira (9).

Adélia Batista Xavier, 31 anos, foi identificada só no início da noite desta sexta-feira (10), quando ela faria aniversário. A identificação foi feita pela coleta de impressões digitais.

O banco de dados do Instituto de Identificação da Policia Civil diz que Adélia é natural da cidade de Esplanada, na Bahia., mas estava em SP há mais de dez anos. O último endereço dela foi no bairro Pauliceia, em São Bernardo do Campo. A Policia tentou contato com a família, mas os telefones que estão no cadastro dela não batem. Adélia tinha passagens por roubos e furtos.

A operação de apreensão de drogas terminou em confusão, com os guardas recebidos a pedradas pelos dependentes químicos, lojas e agências bancárias depredadas, incêndio em lixo e entulhos, desvio de linhas de ônibus, seis pessoas presas, dois guardas machucados e uma mulher gravemente ferida, que não resistiu e morreu na Santa Casa.

Ela estava com um documento no bolso, mas era de outra mulher, que quase foi oficialmente declarada como morta. “Fui assaltada no dia anterior por dois indivíduos armados com uma faca”, disse Gabriela Colares Gomes de Lima. “Chegaram a ligar para minha mãe informando que eu estava no hospital, mas eu já havia avisado que estava sem documentos”, continuou.

Quem matou?
O primeiro tiroteio da confusão foi na esquina da Alameda Cleveland com a Praça Júlio Prestes. Os guardas civis disseram à polícia que tentaram retirar barracas montadas por traficantes e foram recebidos à bala.

Segundo eles, “um homem bem vestido se escondeu atrás de um poste e efetuou disparos de arma de fogo contra os guardas”, que revidaram. Houve perseguição na Rua Helvetia, mas a essa altura, só o traficante continuou disparando, de acordo com o relato dos guardas. Ele conseguiu fugir e a GCM percebeu que a mulher estava caída, com um ferimento na cabeça, diz o depoimento.

Ela foi socorrida à Santa Casa e morreu nesta sexta.

A polícia já apurava a tentativa de homicídio contra GCMs, mas, com a morte da mulher, a investigação principal é de assassinato.

“Foi pedra para todo lado, bomba... Foi difícil. Ninguém trabalhou praticamente”, disse o comerciante Rodnei Evangelista Alves Batista.

Os policiais recolheram 13 cápsulas de balas que ficaram espalhadas pelo asfalto – 9 de pistola calibre 380 e 4 de revólver calibre 32. A GCM usa revólveres calibre 38.

Outro usuário de drogas também foi baleado no tumulto, mas teve alta. Ele preferiu não ser identificado, mas disse à reportagem que está com medo de voltar para a Cracolândia. “Como sou morador de rua, não tenho destino. Não sei ainda qual o destino que eu vou tomar”, disse.