Sábado, 25 de Novembro de 2017
Império contemporâneo: crianças autoritárias nos lares brasileiros
Império contemporâneo: crianças autoritárias nos lares brasileiros
Valéria Villares

Sobre Valéria Villares
Psicóloga, musicista autodidata, praticante de Arte Marcial, orientadora social.

Não. O texto que segue não pretende rotular os pequenos ou estabelecer verdades absolutas à cerca de um assunto tão sério, mas contribuir para que com muita cautela, as nossas crianças sejam melhor percebidas, por cuidadores, pais e professores.

Na díade casa e escola existem inúmeros fatores que podem levantar questões ligadas ao modo com que as crianças se comportam. Seja na relação aluno/professor, professor/cuidadores e pais, cuidadores e pais/criança, e ainda, criança/criança, ou todos eles, formando uma tríade, ou ainda quadríade se incluso o ambiente e/ou outras pessoas ligadas.

Mas o que se pretende chamar a atenção é para a expressão “poder de persuasão”, como relatam alguns professores e envolvidos nos seus cuidados. Fala que evidencia/busca explicar o ‘poder’ que exercem em prol de obter o que desejam. Mas, teria a criança tamanha consciência de possuir uma ferramenta lógico-racional? Como responder ao questionamento? Vejamos uma possibilidade.

Estamos falando da síndrome do Imperador, e que deixa claro a não coerência em afirmar que a criança nasce com alto grau de persuasão sobre os que lhe assistem, simplificadamente, os mais velhos. Trata-se, da permissividade diante de algumas ações observadas, não adequadas para a idade – a chamada “vistas grossas’, ou ainda, diante do medo em não machucar a criança, onde a preocupação pela reação que terão lhes torna reféns de seus caprichos e solicitações. Assim, percebemos que as relações falam mais alto, e não as crianças que nascem com um “dom”.

O Brasil em especial, possui um alto índice de queixas escolares à cerca de comportamentos problemáticos desde os anos iniciais no contexto escolar, e principalmente, (mas não somente), no que diz respeito aos ambientes de ensino público. Você então percebe o enorme emaranhado que existe e que está intimamente ligado a uma característica pouco presente na maioria dos lares, que pode vir a refletir na escola; o diálogo. E é a partir dele que se conseguem boas orientações. Afinal, com a troca de informações se tem a probabilidade de uma intervenção ainda mais eficaz, diante de algo que antes só estava sendo notado.

De modo bem geral, e no intuito de compreender situações como: Gritos acompanhados de atitudes de fúria, talvez com destruição de objetos, exigência que sua solicitação seja atendida de imediato, pequenas agressões, como tapas e beliscões, entre outros, constantemente, é que se faz necessária à criação de espaços de diálogos, junção de profissionais/pais, a fim de planejamento em prol do aperfeiçoamento, visando relações mais assertivas e saudáveis, menos julgamentos, melhores formas de educar para a vida, evitando frustrações em não ser servido a todo instante.

Ressaltar ainda, que esta demanda é uma característica da considerável mudança sociocultural. Portanto, justifica citar ambientes e não aprofundar agora na predisposição genética ou ecológica/mesológica dessas crianças, que também precisam ser observadas, mas, ao falar da atual posição da educação no país, esta ótica parece ser inicialmente a mais coerente e que consegue despertar o leitor para possíveis adolescentes e adultos com transtornos de conduta mais tarde, caso não seja dada a devida importância agora. A informação é sempre o primeiro passo para a mudança e melhores atuações.

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