Sábado, 25 de Novembro de 2017
Plano B de Bolsonaro
Plano B de Bolsonaro
Ari Dantas

Sobre Ari Dantas
Analista político, professor é músico

Bolsonaro é o plano B. É uma alternativa desesperada e sem pé nem cabeça de uma sociedade que se perdeu ideologicamente diante do desmoronamento moral da esquerda, representada pela hegemonia petista, e pelo esgotamento de propostas do pensamento político-administrativo da direita moderada.

Pregando um saudosismo autoritário dos tempos do Golpe de 64 e cheio de clichês políticos superficiais, Bolsonaro é uma reunião bizarra de preconceitos contra minorias de gênero, de cor ou de orientação sexual. Com esse discurso conservador, ufanista, raivoso e cheio de soluções fáceis, ele tem atraído a atenção e aprovação de um bom percentual da juventude brasileira.

Crítico ferrenho da política dos direitos humanos, Bolsonaro defende maus tratos do próprio estado a clientela carcerária. Não precisa disso, o estado brasileiro já faz há muito tempo. Além disso, é contra o estatuto do desarmamento, que tem lá suas falhas, mas não vai ser com o armamento da população civil que a criminalidade vai reduzir.

Assumidamente homofóbico, autoritário e conservador, ele tem crescido nos espaços ideológicos antipetistas e na desilusão ideológica de grande parte da população. Não tem um programa de governo definido, natural que não o tenha, porque a melhoria dos muitos problemas, sobre os quais, ele vocifera ofensas e soluções fáceis, não são de rápida melhoria.

Diminuir a desigualdade socioeconômica, causa fundamental de muitos problemas nesse país, requer profundas mudanças na educação e na política econômica; não vai ser a idolatria a um candidato de ultradireita com sua cruzada nacionalista e autoritária que vai resolver esse problema.

A recente relevância adquirida pela pregação conservadora de Bolsonaro também reflete a superficialidade ideológica e a despolitização de grande parte do nosso eleitorado. Por isso também que Lula, mesmo com evidências claras de que não é um nordestino honesto, não deixa de se destacar na preferência do eleitorado, em especial das regiões norte e nordeste do país.

Esses são os nossos tempos. Tempos de incertezas e de crise. Crise que não se resume ao universo dos políticos. Essa crise atinge toda a sociedade brasileira, porque os políticos nada mais são do que seu reflexo. Não podemos cometer sempre o mesmo erro da percepção maniqueísta de que o político é do mal e o povo é do bem. Existe uma osmose e uma cumplicidade intríseca entre o povo e o político que nossa vã filosofia social e nosso senso comum teimam em não perceber.

Ari Dantas

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